Vacinação: Verdades e Mitos


Cada vez mais os pais questionam a importância de vacinar os seus filhos, avaliando riscos e benefícios. No entanto a maioria dos pais portugueses compreende a importância das vacinas para a prevenção de doenças infectocontagiosas e cerca de 97,5% das crianças são vacinadas. Ainda assim, todos os anos cerca de 4000 crianças não são vacinadas em Portugal.

Portugal é o país da União Europeia com a maior percentagem (98%) de população a confiar nas vacinas, considerando-as seguras, efetivas e importantes para as crianças. Em termos globais na União Europeia, são menos de 80% os que consideram a vacinação importante

1 - As vacinas salvam vidas.

Verdade: A ONU afirma que a vacinação evita até 3 milhões de mortes por ano e que mais 1,5 milhão de mortes poderiam ser evitadas se a cobertura mundial fosse aprimorada.

2 - As vacinas não protegem contra as doenças porque os vírus estão em constante mutação.

Mito: Devido à vacinação em larga escala algumas doenças já foram erradicadas, como a varíola (nível mundial) e a poliomielite (União Europeia). O sarampo no ano de 2005, em Portugal, foi considerado eliminado, contudo devido à decrescente imunização na restante europa, passados 12 anos sem casos a considerar, surgiu um surto com 28 casos confirmados. Outros vírus, como a gripe, têm elevada mutação e por isso a vacinação tem de ser anual para ser efetiva.

3 - Não me vacinar prejudica os outros.

Verdade: Não estando vacinado estamos susceptíveis de adoecer e assim transmitir a doença a quem nos rodeia. Não vacinar é um acto de negligência. Não só com os seus, mas com o mundo.

4 - As vacinas não são efetivas porque têm vindo a aumentar os casos de doenças preveníveis.

Mito: O número de doenças preveníveis têm aumentado devido à diminuição da percentagem de população vacinada. Para a vacinação ser efectiva existem valores mínimos de vacinação da população, cerca de 95% mas depende de doença para doença. Doenças consideradas eliminadas na União Europeia estão a voltar devido à diminuição da taxa de vacinação europeia e devido à globalização. Cada vez viajamos mais, podendo contrair doenças que ainda são endémicas nos países de destino.

5 - As vacinas são seguras.

Verdade: As vacinas têm um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade, após vários anos de experiência e milhões de vacinas administradas em todo o mundo. As regras para autorização de novas vacinas são muito rigorosas.

6 - As vacinas aumentam o risco de desenvolver autismo.

Mito: Em estudos recentes os autores não encontraram diferença estatisticamente significativa no risco de desenvolver autismo entre crianças vacinadas e não vacinadas, inclusive em subgrupos de crianças presumivelmente mais suscetíveis. Existem mais casos de autismo porque já se conhece a doença, anteriormente a doença era ignorada.

7 - As vacinas têm efeitos secundários.

Verdade: assim como qualquer medicamento pode ocorrer efeitos secundários. Em geral, os efeitos causados pelas vacinas são ligeiros e desaparecem sem ser necessário tratamento, como dor ou vermelhidão no local da injeção ou um aumento ligeiro da temperatura ou dor de cabeça. Em raríssimos casos podem verificar-se reações secundárias mais sérias, mas os serviços de vacinação estão treinados para as controlar.

8 - As vacinas são veneno que se introduz no corpo.

Mito: as vacinas são medicamentos altamente controlados. São uma preparação de antigénios. Os antigénios das vacinas podem ser vírus ou bactérias inteiros, mas estão sempre mortos ou atenuados, ou fragmentos desses microrganismos. Assim, permitem que o organismo produza defesas sem desencadear doença.

A protecção advém do facto de as outras crianças estarem vacinadas.

Verdade: Com efeito se todas as outras crianças e adultos estiverem vacinados e sãos não há qualquer risco. Por isso é importante que os pais vacinem os seus filhos, pelos deles e pelos outros que não têm culpa das má decisões.

Mesmo sem vacinas as crianças conseguem a mesma imunidade.

Mito: Para sermos imunes (estarmos protegidos das doenças) temos de estar em contacto com os vírus e bactérias que desenvolvem a doença. Estando certas doenças quase eliminadas, a probabilidade de contactar com essa doença é muito reduzida, logo não vamos ficar imunizados. Outras doenças podem ser mortais aquando a exposição.

 

Por

Dra. Sofia Lourenço Silva

Farmacêutica

Quinta, 18 de Julho de 19